As dívidas foram o ponto de partida da Miss Independent e da grande mudança nas minhas finanças pessoais.
Tal como eu estava no final de 2022, muitos portugueses vivem com créditos e dívidas acumuladas sem saber como sair dessa situação. Cartão de crédito, crédito pessoal, crédito automóvel, crédito feito para comprar um telemóvel, férias pagas a crédito ou despesas inesperadas… tudo isto é visto como normal hoje em dia (e não é!) e pode transformar-se numa gigante bola de neve financeira.
Este também é o teu caso?
Independentemente das dívidas que tenhas ou dos motivos que te levaram a contraí-las, agora tens o poder de mudar essa situação.
Vou-te mostrar, passo-a-passo, o que fiz para eliminar as minhas dívidas.
Se quiseres saber como apareceram na minha vida, clica aqui.
Passo 1: Muda a tua mentalidade
Antes de começares a pagar as dívidas, precisas de mudar a forma como olhas para o dinheiro.
Sair das dívidas não é um processo fácil nem rápido, e é importante que tenhas isto em mente. É um processo que exige mudanças, disciplina, compromisso, consistência e muita força de vontade.
A verdade é que a tua vida vai ter de mudar e será interessante perceberes:
- Quais foram os motivos que te levaram à situação financeira atual?
- Que hábitos contribuíram para o endividamento?
- O que podes mudar para evitar voltar ao mesmo?
As dívidas surgiram por compras impulsivas? Falta de organização financeira? Emergências? Baixos rendimentos? Acredito que é importante perceberes para que depois possas olhar para o teu estilo de vida de outra forma.
Terás de mudar alguns hábitos, criar outros que te permitam ter maior controlo sobre o teu dinheiro e aumentar a poupança. É normal teres de abdicar de alguns prazeres da vida durante este processo. Eu também disse “não” a muitos jantares e encontros com amigos, que sabia que seriam dispendiosos, deixei de fazer viagens para destinos que queria muito visitar… Poupar para amortizar começou a ser a prioridade número um e foi assim durante cerca de 3 anos. Todas as pequenas decisões fizeram diferença.
Aqui a velha máxima “Não podemos fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”, encaixa que nem uma luva!
Quando passas a ver o pagamento das dívidas como um passo para a liberdade financeira, tudo muda. Cada dívida paga é menos um peso às costas, é uma porta que se abre e onde há mais espaço para planear o futuro e investir nos sonhos.
Passo 2: Organiza as tuas finanças pessoais
Para conseguires pagar as dívidas antecipadamente, primeiro precisas de criar margem financeira para isso. Deves fazer o diagnóstico das tuas finanças pessoais, de modo a criar espaço financeiro para pagar as dívidas, evitar novas e construir o Fundo de Emergência.
Isto significa perceber exatamente quanto ganhas, quanto gastas e onde e quanto podes poupar.
2.1 – Corta despesas desnecessárias
Sabes para onde está a ir o teu dinheiro todos os meses? Analisa as tuas despesas e identifica:
- Subscrições que não utilizas;
- Gastos impulsivos;
- Serviços caros;
- Despesas que podes reduzir temporariamente.
Após identificar e cortar despesas desnecessárias, também podes revêr os teus contratos, seja o seguro do carro ou o plano de TV que tens. Desta forma, aumentarás o dinheiro disponível.
2.2 – Cria metas de poupança
Ao criares um orçamento mensal realista, consegues saber quanto vais gastar em cada uma das categorias das tuas despesas, mas também quanto consegues poupar. Este valor deve ser colocado na poupança antes de qualquer outra coisa, e nunca no final do mês. É o famoso “Paga-te a ti primeiro”, antes de qualquer outra despesa. Ou seja, assim que recebes o ordenado, transferes uma parte para a poupança, consoante o valor que definiste no orçamento.
Este valor de poupança, pode ser dividido (bem como eventuais rendimentos extra) pelos vários objetivos que tenhas:
- Amortização de dívidas;
- Fundo de Emergência;
- Despesas anuais ou com outra periodicidade;
- Outros objetivos.
Este processo é possível de ser automatizado e assim garantes que a poupança é feita todos os meses.
2.3 – Fundo de Emergência
O Fundo de Emergência é a reserva financeira que te vai permitir ter segurança financeira e fazer face a despesas inesperadas. É essencial para evitar novas dívidas. Sem ele, qualquer problema que possa surgir pode obrigar-te a recorrer novamente ao crédito.
Podes saber mais sobre o Fundo de Emergência neste artigo.
Passo 3: Lista todas as tuas dívidas
Para conseguires agir eficazmente, precisas de ter uma visão clara sobre quanto deves e sob que condições. Por isso, vamos encarar as dívidas!
Faz uma lista de todas as tuas dívidas: instituição financeira, valor total em dívida, taxa de juro (TAEG, preferencialmente), valor da mensalidade e prazo restante. Esta visão permite-te perceber qual o peso de cada uma.
Podes encontrar todas as informações sobre os créditos na app do banco/ Homebanking ou na FIN (Ficha de Informação Normalizada).
Passo 4: Escolhe o método de amortização
Quando já sabes quanto deves, está na hora de escolher uma forma de pagar as dívidas. Uma estratégia. E há duas muito utilizadas para amortizar dívidas:
- Método Bola de Neve: primeiro, paga a dívida de menor valor. Quando esta terminar, passa para a seguinte com valor mais baixo e assim sucessivamente. Com este método, eliminas primeiro as dívidas mais pequenas, o que é motivador, mas também permite que fiques com mais dinheiro disponível mais rapidamente, para poderes antecipar o pagamento da seguinte;
- Método Avalanche: primeiro, paga a dívida com maior taxa de juro (a dívida mais cara). É mais eficiente, no que toca à poupança de dinheiro pago em juros, mas também pode demorar mais tempo se a dívida com maior TAEG for uma dívida grande.
A escolha do método não é algo fixo, por exemplo, podes começar pelo método Bola de Neve, para conseguires ter mais dinheiro disponível para amortizar as dívidas seguintes, e depois passar para o método Avalanche.
Passo 5: Cria o teu plano de desendividamento
O plano de pagamento de dívidas é o que vai transformar as tuas decisões anteriores em ação, num plano concreto, com datas valores e objetivos.
O teu plano deve incluir:
- O valor mensal para amortizar as dívidas;
- Calendário de pagamentos;
- Metas concretas;
- Prioridades.
Sempre que possível, utiliza os subsídios de férias e Natal (ou parte deles) para reforçar o valor da amortização, bem como eventuais rendimentos extra. Quanto maior for a amortização, mais rapidamente a dívida é liquidada e menos juros irás pagar.
E o mais importante: Compromete-te com o plano!
🛑 Se chegaste até aqui e percebeste que não consegues pagar as mensalidades, quanto mais fazer pagamentos extra, podes renegociar com as instituições para ajustar prazos ou reduzir as taxas de juro, ou estudar a opção de consolidar os créditos.
Isto não é fraqueza, é responsabilidade!
Passo 6: Revê, reflete e ajusta o plano
A vida muda e o teu plano de pagamento de dívidas deve acompanhar essa mudança.
Por isso, revê o teu orçamento regularmente, ajusta metas, redefine prazos e adapta o plano à realidade atual. Rever o plano garante que continuas no caminho certo, mesmo quando algo se altera.
E celebra cada conquista! Cada dívida a menos é um passo na direção da tua liberdade financeira.
Conclusão
Sair das dívidas é uma maratona. É um longo processo que exige consistência, paciência e sentido de compromisso contigo próprio.
Cada passo que dás – poupar, listar, escolher, planear e rever – aproxima-te de uma vida financeira com menos stress, mais poder e liberdade para fazer escolhas.
Lembra-te: disciplina é liberdade e o primeiro passo é acreditar que és capaz!
⚠️ Alerta
Este artigo foi criado com base na minha experiência pessoal, pelo que a informação que contém não deve ser considerada recomendação ou aconselhamento financeiro.