Finanças a dois: como fazemos a gestão em casal

Ano após ano, o dinheiro continua a ser uma das principais causas de divórcio. Muitas vezes não por falta de rendimento, mas devido à falta de transparência: esconder dívidas ou compras, prioridades diferentes, instabilidade financeira.

Dentro de uma relação, falar abertamente de dinheiro não pode ser a exceção. Muitas destas questões poderiam simplesmente não existir se houvesse comunicação.

Um casal é feito de duas pessoas diferentes, com passados, sonhos, objetivos, aprendizagens diferentes. É perfeitamente normal não querermos sempre as mesmas coisas nem pensarmos da mesma forma. E é precisamente por existirem estas diferenças que tem de existir espaço para o diálogo.

Porque, gostemos ou não, está presente em praticamente todas as decisões do dia-a-dia: onde viver, comprar casa ou não, ter ou não filhos, como serão as férias, querer mudar de carreira em algum ponto da vida…

Esta comunicação não deve acontecer como forma de controlar o outro, mas sim para compreender. Não apenas quando surge um problema financeiro, mas para ajustar expectativas e partilhar prioridades. Porque esta transparência não significa perder a individualidade, mas sim evitar surpresas e lidar juntos com a diferença.

Não queremos as mesmas coisas

É verdade, temos alguns objetivos em comum, outros nem por isso.

Desde que percebi que podia dar uma volta, até então inimaginável, à minha vida financeira com a descoberta do FIRE e tomei consciência de que precisava de eliminar as dívidas, passei a ter um objetivo claro: a conquista da liberdade financeira.

Não me vejo a trabalhar mais 30 e muitos anos na minha profissão (que adoro, mas até aos 70? Não, obrigada). Quero aproveitar os meus dias a fazer outras coisas que me dariam muito mais satisfação, que podem ser remuneradas ou não.

Já do outro lado, temos o empresário da casa. Não se vê a deixar de trabalhar e está sempre a pensar em novos serviços para os seus clientes e como pode fazer crescer o seu negócio. E isto enche-me de orgulho, honestamente.

Percebemos que não queremos exatamente as mesmas coisas, mas que ainda assim, temos sonhos e objetivos em comum. Queremos caminhar na mesma direção. Queremos a nossa casa, queremos ter filhos não num futuro assim tão longínquo, queremos continuar a conhecer o mundo os dois…

Nunca podemos exigir que o outro queira o que nós queremos. Mas podemos partilhar os nossos planos e o que fazemos. Por vezes, somos surpreendidos.

As nossas finanças: juntas ou separadas?

No nosso caso, nunca tivemos o nosso dinheiro junto, nem nunca teremos, arrisco me a dizer.

Temos as contas individuais onde cada um gere o seu dinheiro, e depois temos a conta conjunta.

Até ao final do ano passado, cada um transferia um valor estipulado para essa conta conjunta e todas as despesas que temos em comum – despesas da casa, alimentação, animais de estimação – saiam daí. Entretanto, decidimos mudar um bocadinho o esquema.

Como a nossa principal prioridade passou a ser poupar dinheiro para a construção da casa, optámos por fazer essa poupança na conta conjunta, e todas as despesas relacionadas com a construção da casa, passam a ser feitas desta conta.

Já as despesas comuns mensais, passaram a ser feitas da minha conta pessoal e, feitas as contas, dividimos o valor.

divisão de despesas

Quando decidimos viver juntos, eu ganhava menos de metade do que ganho atualmente e ele, ainda trabalhador por conta de outrem, já estava a dar os primeiros passos como trabalhador individual, o que exigia algum investimento. Na altura, achamos que o mais justo seria a divisão 50/50.

Hoje, apesar dos rendimentos serem bem diferentes da altura, esta divisão mantém-se como base para a divisão das despesas da casa, alimentação e com os animais de estimação.

Oito anos depois, ele ganha 3 a 4 vezes mais do que eu e, de modo a não desequilibrar a balança para o meu lado, a grande parte da poupança para a construção da casa está a ser feita por ele.

O segredo das finanças a dois

Não existe um método que seja melhor do que os outros. Cada casal é diferente, tem rendimentos e despesas diferentes, objetivos diferentes e, por isso, o método de gerir as finanças a dois deve ser adaptado à realidade de cada um. Esta, que partilhei contigo, é a que funciona connosco.

Sou da opinião que, tal como gerir o dinheiro de ambos em conjunto não salva nem fortalece relações, as contas separadas também não afastam o casal nem significam falta de compromisso na relação.

O que realmente funciona é a comunicação, é existir flexibilidade e transparência nas decisões que tomamos.

Quando existe diálogo, o dinheiro deixa de ser um problema.

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